Tudo na cabeça

27/01/2010

A Mulé Dama e o Vagabundo

Arquivado em: teatro — tudonacabeca @ 12:59 PM
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Era uma vez seis projetos evoluídos de homens das cavernas. Os parentes mais distantes de uma espécie que sofreu uma diferenciação do grupo dos Homo Sapiens. Essa primeira minoria historicamente não reconhecida não tinha força, nem velocidade e nenhuma outra habilidade para a caça, pesca ou qualquer outra forma de sobrevivência dentro dos padrões que eram esperados de um homem das cavernas moderno. Ganhavam a vida fazendo os que tinham um papel bem determinado nessa sociedade rir. Fazendo com trocadilhos, pancadas nas próprias cabeças com osso de Mamute, estórias constrangedoras com o uso de uma folha de urtiga na falta de papel higiênico, e com um jeito diferente de olhar sobre questões cotidianas do homem pré histórico, como a falta de banho, o uso errado do tacape na arte de seduzir as mulheres, e da descrença na possibilidade de vida além da aldeia. Esses eram os Homo Cômicus.

Esses seis Homo Cômicos modernos, buscando se envolver melhor com suas relações familiares, tentaram realizar uma homenagem àqueles que precederam suas estreias. Porém, sem muitos registros de família de seus primeiros genitores, nenhuma foto, nenhum bilhete, nem um cartãozinho de natal ou lango-lango de dia das criança, decidiram então criar uma singela saudação aos semelhantes mais próximos. Os saltimbancos dos primórdios do cinema. Charles Chaplin, O Gordo e o Magro, Os trapalhões, Wood Allen etc.

Estando, assim, mais acessível o retrato da capacidade de produzir o cômico de seus antecessores, e num momento de inspiração regado ao não ter o que fazer, surge a ideia de se realizar um vídeo em preto e branco e sem audio. Nasce “A Mulé Dama e o Vagabundo”… Divirtam-se!

http://www.youtube.com/watch?v=qlbZih5Ct5M

22/11/2009

As 4 Fases de um vestibulando

A maioria das pessoas querem se dar bem na vida – ter uma vida confortável, um bom emprego, de preferência um que não trabalhe muito. E para isso escolhem diversos caminhos. Alguns se contentam só com um emprego numa boa fábrica, outros preferem ficar morando com a mamãe até os trinta e poucos anos, ainda tem os que se aventuram no paciente jogo dos concursos públicos, e haja paciência para esperar ser chamado. E além de todos esses temos o vestibulando. Aquela pessoa que se enfia por um ou mais anos dentro de um cursinho (para algumas pessoas esse mais é BEM MAIS).

Entre os vários sofrimentos do mundo está a angústia de um vestibulando. Sabe que você fica angustiado quando a camisinha estoura e você fica rezando pra menstruação chegar logo ou o exame dar negativo? Então, pensa nessa sensação durante o ano todo. O medo de saber se vai dar ou não vai dar certo… É, o vestibulando sofre!

Mas gostaria de separar bem as coisas. Não estou falando aqui de qualquer vestibulando. Não é nenhum desses que perde o RG na porta da UNIBAN e recebe em casa o comprovante de matrícula e um certificado de sócio da Kun-klux-klan. Não, Senhor! Estou falando do vestibulando que passa por 4 fases durante toda sua vida “vestibulesca”. Fases que no total duram pelo menos um ano.

Sem mais delongas, vamos aos fatos:

1ª Fase – A idéia

É nessa fase que o vestibulando tem a genial idéia de ingressar em uma universidade.

Os motivos para isso variam. Ele pode ter acabado de iniciar o ensino médio, e depois de já ter escutado desde o jardim de infância seus pais fazerem pequenos comentários como “Vê se estuda e entra na USP, senão o bicho vai pegar pro seu lado” ou “Olha meu bebê, que guti-guti! Se você estudar direitinho e entrar na faculdade, papai te dá um carro”… Resolve que entra numa boa universidade é uma boa!

Mas pode também ter terminado o ensino médio e depois de ter visto que achar um emprego não é tão fácil, decide enfiar a cara nos livros.

Lembra quanto te perguntavam “o que você vai ser quando crescer?”. Era melhor você ter dito “GRANDE”. Pois é nessa fase que você descobre que pra ser o que sonhou tem que estudar. E na maioria dos casos, estudar muito!

Então você decide entrar em um cursinho!

2ª Fase – É hora de “ralar”!

Procura, então, um cursinho. Que alias, tem para todos os bolsos. Desde bolsos recheados com notinhas azuis com um peixinho atrás, até aqueles bolsos zuados que só servem para carregar papel inútil e a chave do barraco.

E no começo do cursinho você começa a ralar. Tudo o que o professor falar você anota em seu caderninho novinho que você comprou especialmente para isso. Faz todos os exercícios. Lê de tudo. Até bula de remédio. Mas é claro, isso no primeiro mês, pois um ou dois meses depois já está até dormindo na aula.

Nesse fase você começa a mudar e não percebe. Seus amigos te chamam pra sair e o que você diz? “Tenho que estudar!”. Quando você resolve sair com eles o único assunto que vem à sua cabeça é a crise mundial, a questão palestina, o prêmio Nobel do Obama, e a importância das angiospermas para o equilíbrio ambiental… Todos te olham diferente e os únicos que passam a te suportar é o próprio pessoal do cursinho.

É nessa fase, também, que você descobre que raiz quadrada é um número e não a raiz de uma árvore careta. Que evolução não é o seu bichinho virtual aprender a comer sozinho e que esse seu cabelo ruim é culpa de um de seus pais. Amina não é aquela garota, e anel aromático não é um “forebis” cheiroso. Passa a chamar sal de cozinha de cloreto de sódio na hora do jantar só para impressionar a vovó que esta à mesa, só que percebe que corrigir os erros de português da sua mãe na frente de visitas não pega muito bem.

É! Essa é uma fase difícil e pouco compreendida.

3ª Fase – A Véspera

E depois de ter estudado pra caramba ao longo de todo ano você chega na hora da verdade. A véspera!

Esse é um momento desesperador. Voce acha que não estudou o suficiente. Acredita que não sabe nada, e o pior, não sabe o que fazer. Continuar estudando feito um louco desesperado, decorar todas aquelas fórmulas de física? Ou relaxar? Ai você decide relaxar. Aluga um filme e começa a assistir. Fala se na o vai batendo aquele arrependimento. Vão ser quase duas horinhas de filme que você começa a imaginar tudo o que você estaria estudando. “Nesse tempo dá pra mim estudar pelo menos uns dois capítulos de química orgânica, entender todo o quadro histórico da América latina no século XX, e ainda ler duas obras da Fuvest”… Então você resolve desligar o filme e ir estudar.

Na véspera também todos os arrependimentos surgem. Você fica lembrando de todas as vezes que dormiu até mais tarde e que deveria ter acordado para estudar. Lembra daquela festa que foi e fica pensando em todas as coisas que você teria aprendido se tivesse ficado em casa. É duro!

Nesse dia você também deve deixar tudo planejado para o dia da prova. Que horas sair de casa, o que levar, que ônibus pegar (para aqueles que vão de ônibus, é claro). Tem que pensar em todas as possibilidades. Vai que você dorme demais, tipo, acordar umas 3 horas da tarde, ou os ônibus resolvem entrar de greve bem nesse dia, ou ainda que você pegue um motorista que dirija parecendo sua tia-avó. Pense em tudo e não esqueça nada. Caneta, lápis, borracha, água, chocolate, salgadinho fofura (o cheiro desconcentra qualquer um). E mulheres, nunca confiem no seu ciclo menstrual. Fica a dica!

4ª Fase – Entre a prova e o resultado

Essa é uma fase de grande angústia. Cara, além de ter encarado um ano todo de estudos, o desespero da véspera, o sofrimento em achar que todos são seus concorrentes no dia da prova (principalmente os japoneses), você ainda vai ter que esperar cerca de um mês ou mais para ter os resultados. Nunca as suas férias de janeiro demoraram tanto pra passar! É muito chato. Você entra nos sites das faculdades mais do que no seu próprio Orkut, na esperança deles adiantarem os resultados, mesmo sabendo que o resultado só sai daqui algumas semanas. É de enlouquecer!

Mas posso te dizer, esse é um sacrifício que vale a pena. Se você sobreviver a tudo isso é capaz de suportar até uma sogra chata, pernilongo no ouvido em dia de calor, o trânsito de São Paulo, unha encravado e o horário eleitoral gratuito, que aliás, você estará livre, pois, ou estará estudando na faculdade de seus sonhos ou começando tudo novamente, só que agora com mais experiência… Viu como tudo tem um lado positivo?!

15/11/2009

A Casa Errada

Arquivado em: teatro — tudonacabeca @ 4:08 PM
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A Casa Errada foi uma peça apresentada pela primeira vez em Julho de 2008 no teatro Adamastor Pimentas em Guarulhos. Houve nova apresentação no inicio desse ano que foi sucesso de público.

A Casa Errada é a estória de um empregado muito atrapalhado, Francelino, que depois de ser confundido com um tarado pela vizinhança deixa um senhor estranho entrar na casa de seu patrão, Senhor João. A polícia é chamada para procurar o tarado pelas redondezas, entra na casa e não reconhece Francelino. Até então tudo bem se o senhor estranho não estivesse morto depois de ter bebido todo o conhaque da casa… A confusão está feita já que, além de ter que fingir não saber nada de sobre o tarado, Francelino e senhor João fazem de tudo para os policiais não perceberem que o senhor estranho está morto, já que eles mexeram no corpo e podem ir para a cadeia…

Esse vídeo é só uma abertura mostrando algumas cenas dos ensaios e quem são as personagens…

 

O grupo que interpretou esse texto foi a companhia de comédia Kómus da qual tenho o prazer de fazer parte. Ela nasceu de uma brincadeira bem humorada de um grupo de alunos e ex alunos do cursinho comunitário pimentas. A idéia era fazer uma peça de teatro que tivesse haver com uma das obras cobradas no vestibular, na época, 2007, escolheu-se o livro O Auto da Barca do Inferno… A brincadeira deu certo e o grupo continuou… No ano passado A Casa Errada e nesse ano de 2009, para ser mais específico no dia 25 de Julho de 2009, O Selo da Preguiça…

Em breve teremos outras apresentação. Inclusive já estamos preparando uma nova peça para 2010, além de um curta metragem e algumas scats…

Mas fique tranquilo… Você será informado assim que possível…

É isso!

Abraços

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